Plenilúnio


Havia um perfume que ainda perdura no ar; mais leve, talvez influência da Lua, com certeza cheia.

E ela chegava quando eu já estava distraído. Desesperando, esquecido por encanto do encontro.

Ela não.

Na sua breve eternidade, seguia meus passos como um cão faminto segue um osso carnudo; e eu a seguia como se estivesse no cio.

Cães se encontram pelas ruas na madrugada.

Acho que fui eu quem recitou algum poeta impublicado, com certeza um ex amigo, vencido por um mal à descobrir.

Ela achava graça nisso, e dizia que eu deveria escrever. Eu dizia que não queria ser póstumo, não ainda. E nós ríamos da ausência futura.

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Um comentário em “Plenilúnio

  1. Perfumes marcantes podem se esvanecer no ar,mas insistem em perdurar em nossas doces lembranças e em nossos corações!
    Ledo engano do poeta esquecido de assinar sua obra,considerando a eternidade breve…pois breves são os espaços na vida e no tempo.
    A ausência só ocorre quando a desejamos e poetas jamais podem calar-se…é lhes proibido esse direito.

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