Murilo Rubião: O Pirotécnico e ex-Mágico da Taberna Minhota


O primeiro conto de Murilo que tive a felicidade de ler foi “Botão de Rosa”, ainda no primeiro grau. Depois disso não mais o deixei. Tanto fiz que hoje tenho todos os seus contos, inclusive os publicados postumamente, com exceção talvez de algum recentemente lançado cuja existência ainda desconheço. Acho que posso creditá-lo pela minha ânsia de escrever…e de nem sempre publicar os meus escritos, tal como o Mestre Rubião.

Murilo Rubião nasceu em Carmo de Minas em 1916. Há muito, o pensamento exclusivamente lógico da razão não responde às perplexidades do ser humano diante da existência. Para isso, tornou-se necessária a criação de alternativas que buscassem uma nova interpretação da realidade, revelando o que, antes, permanecia oculto. O realismo fantástico ou mágico no Brasil teve em Murilo Rubião seu fundador, o que o tornou precursor de uma nova abordagem daquilo que, no cerne da vida, é percebido por poucos. Por paradoxal que possa parecer, o autor salienta que o que lhe interessa é justamente o real, claro que de uma maneira não reduzida pelos seus apelos funcionais do cotidiano. O “fantástico” aparece como um desconstrutor das cadeias de causa e efeito, nas quais o meio se rebela contra o fim e a circularidade do tempo é privilegiada, a mostrar para as pessoas o espantoso absurdo da existência que vivemos. Essa desobediência às regras do olhar viciado é exercida por uma linguagem de extremo rigor, afirmativamente ambígua, que, pela fragmentação das histórias, dá ao leitor a ilusão de uma infindável continuação que nunca se deixa apreender completamente. Morreu em Belo Horizonte em 1991.

obras
O Ex-Mágico (1947)
A Estrela Vermelha (1953)
Os Dragões e Outros Contos (1965)
O Pirotécnico Zacarias (1974)O Convidado (1974)
A Casa do Girassol Vermelho (1978)
O Homem do Boné Cinzento & Outras Histórias (1990)
Mário e o Pirotécnico Aprendiz – Cartas de Mário de Andrade e Murilo Rubião (1995)
Contos Reunidos (1998)

“Nessa hora os homens compreenderão que, mesmo à margem da vida, ainda vivo, porque minha existência se transmudou em cores e o branco já se aproxima da terra para exclusiva ternura dos meus olhos.”

Murilo Rubião.

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