Vizinhos


Uma aventura entre muitas paredes

Voce sabia que dia 23 de Dezembro se comemora o Dia do Vizinho? Pois é, essa data existe mesmo, mas nem todo mundo tem o que comemorar. Personagem tão controvertido quanto as sogras, os vizinhos fazem parte da natureza gregária do homem (e ainda mais das mulheres, certo?); e se hoje em dia muita gente gostaria de morar sem ter vizinhos por perto, nem sempre foi assim.

É difícil,  senão impossível, que a humanidade ancestral tivesse sobrevivido isoladamente aos perigos que lhe rondavam, e esses eram muitos;  iam desde feras enormes e famintas até a fome; o leque de possibilidades de morte dos sujeitos isolados era enorme.

A palavra “vizinho” vem do latim vicinu, que significa “próximo, que mora perto, vicinal, da aldeia”.

Entre as piores espécies de vizinhança, as que mais se destacam são:

Os barulhentos: De longe os mais odiados por todos, e muitas vezes os mais temidos também, pois conseguem invadir sua casa através da sua mente, via audição; são eles os maiores responsáveis pelas suas noites mal-dormidas ou insones. Quase sempre vivem em bandos mais ou menos numerosos, e se subdividem em vários sub-grupos, como os gritantes, os DJ’s e os laboriosos.

Os Gritantes são os que desaprenderam ou nunca souberam falar baixo; chamam-se e conversam uns com os outros quase aos berros, o que obriga os vizinhos (voce inclusive) a compartilhar do cotidiano da família, o que acaba te colocando na posição de confidente involuntário.

Os DJ’s são os que nos brindam com sua coleção de músicas em elevadíssimo volume; dessa sub-categoria os que realmente incomodam são os que não respeitam feriados nem dias santos. Para esses não há horário nem repertório  incoveniente. Não raro encontramos DJ’s e Gritantes na mesma residência, numa relação de causa e efeito que extrapola a mera coincidência.

Os Laboriosos são os que exercem suas profissões no ambiente familiar, e são por isso mesmo quase uma categoria à parte, diria “hours concours”, pois na maioria das vezes não há um argumento bom o bastante para transformar uma possível queixa numa demanda válida, exceto talvez no caso de pequenas indústrias domésticas. Como seus horários de trabalho quase sempre coincidem com os nossos, e há a questão da sobrevivência, não chegam a importunar como as duas primeiras sub-categorias.

Os Porteiros: Essa categoria também possui sub-divisões e por vezes é confundida – injustamente – com os Fofoqueiros; se bem administrados, são criaturas inofensivas e úteis, pois são eles quem vigiam seu lar na sua ausência – e na sua presença também. O perigo reside na sua evolução à Fofoqueiros, mas isso depende quase sempre de sua disposição em ouvi-los por horas à fio. Nunca convide um fofoqueiro para sua casa, e evite o mais possível ser visto em sua companhia, pois por mais amenos que sejam os assuntos, os que lhe veem nessa situação podem imaginar que voce está a trocar figurinhas, e – pior de tudo – dá respaldo à acreditarem em qualquer fofoca sobre voce divulgada pelo fofoqueiro. A fama do fofoqueiro se contrai por osmose. Muito cuidado com eles!

O Vizinho Misterioso

É aquele que só encontramos quando estamos entrando ou saindo de nossas casas e apartamentos, na rua, elevador ou garagem – nunca nas áreas de lazer do condomínio; dele pouco se sabe além de seu endereço; resume-se quando muito à um cumprimento matinal; nos temerários dias de hoje suspeita-se logo de um terrorista ou pedófilo – desconfiança pouco razoável, pois muitas vezes sua personalidade socialmente refratária é apenas o esconderijo da sua timidez. Este tipo é ao mesmo tempo o inferno astral e o paraíso do Fofoqueiro, por razões óbvias.

E para não dizer que só falei da parte má, me sinto na obrigação de citar também aquele que é a quintessência da boa vizinhança; o mais puro e refinado ser que porventura existiu – como vizinho – na face da terra: VOCE!

Preciso falar mais?

(Do Redator)

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