Cinema Italiano – 1


O Neo-Realismo

Movimento cinematográfico com preocupações humanistas, que nasceu do anti-fascismo do pós II Guerra Mundial em Itália e que, muito embora o seu curto período de existência (1943-1952), influenciou o cinema italiano e mundial.

Marcada pela ditadura de Benito Mussolini nas décadas anteriores, a Itália do pós guerra era um país devastado, com uma economia em grandes dificuldades e que sentia a difícil transição da agricultura para a indústria. Esta realidade estava longe do cinema italiano, quer das produções nacionais, que se resumiam a histórias fantasiosas e irreais, quer devido às produções de Hollywood, que inundavam o país. Neste contexto, os neo-realistas reclamavam que o cinema devia “ver” e analisar a realidade, mostrando a vida italiana sem embelezamento. A filosofia do neo-realismo, cujas fundações foram estabelecidas pelo poeta e argumentista Cesare Zavattini, tinha, assim, uma clara preocupação humanista, onde se enfatizava a vida real e o espírito colectivo.

Com poucos recursos, linguagem mais simples, temáticas contestadoras, atores não-profissionais e tomadas ao ar livre os filmes retratam o dia-a-dia de proletários, camponeses e pequena burguesia. “Obsessão” (Ossessione – 1943), de Luchino Visconti, é considerada a obra inaugural do neo-realismo. A trilogia de Roberto Rosselini, Roma, “Cidade Aberta” (Roma, città aperta / Rome, Open City – 1945), “Paisà” (Paisà – 1946) e “Alemanha, Ano Zero” (Germania Anno Zero / Germany Year Zero – 1947), ao lado de “Ladrões de Bicicleta” (Ladri di Biciclette / The Bicycle Thief – 1948) e “Umberto D” (Umberto D – 1952), de Vittorio De Sica, constituem os grandes marcos do movimento. Destacam-se também “A Romana” (La Romana / Woman of Rome – 1954), de Luigi Zampa, “O Capote” (Il Cappotto / The Overcoat – 1952), de Alberto Lattuada, “O Ferroviário” (Il Ferroviere / Man of Iron / The Railroad Man – 1956), de Pietro Germi, e “A Terra Treme” (La Terra trema / The Earth Trembles – 1948), de Visconti.

 
Vittorio De Sica (1902-1974), diretor e ator italiano, estréia no cinema em 1922. Na década de 30, torna-se o galã popular nas comédias ligeiras do diretor Mario Camerini. A partir de 1940 passa a dirigir, trabalhando em parceria com o roteirista Cesare Zavattini. Juntos, realizam as maiores obras do neo-realismo: “Milagre em Milão” (Miracolo a Milano / Miracle in Milan – 1950) e “O Teto” (Il Tetto / The Roof / Le Toit – 1956). Recebe três Oscars de filme estrangeiro por “Ontem, Hoje e Amanhã” (Ieri, Oggi e Domani / Yesterday, Today and Tomorrow – 1963), “Casamento à Italiana” (Matrimonio all’Italiana / Marriage Italian-Style – 1964) e “O Jardim dos Finzi Contini” (Il Giardino dei Finzi-Contini / The Garden of the Finzi-Continis – 1971).
 
Luchino Visconti (1906-1976), Logo em seu primeiro trabalho, uma amostra do que poderíamos esperar durante toda a sua existência cinematográfica: polêmica. Em Obsessão, de 1943, Visconti fez uma adaptação não autorizada do livro The Postman Always Rings Twice, de James Cain. Ele conta a história do homem que, em meio à difícil vida durante a guerra, se instala em uma pensão com comida e emprego. Só que se apaixona pela mulher do dono do lugar e, juntos, pretendem matar o marido dela para não haver nada que os impeça de ficarem unidos.

Por causa do não pagamento dos direitos autorais da obra original, o filme foi proibido nos Estados Unidos até a década de 70. Aqui no Brasil, é fácil achá-lo, pois é vendido separadamente ou em uma das caixas do diretor em DVD. Além de sua versão, outras duas chegaram aos cinemas: uma em 1946, dirigida por Tay Garnett, e outra em 1981, dirigida por Bob Rafelson e estrelada por Jack Nicholson e Jessica Lange.

O neo-realismo no Brasil
 
 
 

O neo-realismo no Brasil tem suas raízes em “Moleque Tião” (1943), dirigido por José Carlos Burle e roteiro de Alinor Azevedo; “Agulha no Palheiro” (1952), dirigido e roteirizado por Alex Viany; e “Amei Um Bicheiro” (1952), dirigido por Jorge Ileli e roteirizado por Paulo Wanderley. O primeiro filme brasileiro considerado propriamente como neo-realista, porém, foi “Rio 40 Graus” (1954), de Nélson Pereira dos Santos.

Fontes:

http://www.cineplayers.com/perfil.php?id=11255

http://www.webcine.com.br/historia2.htm

http://www.apropucsp.org.br/revista/rcc04_r05.htm

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por eudyr Postado em CINEMA

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