Mata Hari, a espiã: Uma história de Mulher


Poucas mulheres despertaram tanto a imaginação quanto a bela holandesa Margaretha Geertruida Zelle,  a Mata Hari.

Mata Hari foi uma mulher que ficou afamada como uma figura sedutora, apaixonada e envolvida com as intrigas da Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918). Em diferentes ocasiões sua vida foi alvo da curiosidade de biógrafos, romancistas e cineastas. Ao longo do tempo, Mata Hari transformou-se em uma espécie de símbolo da ousadia feminina. No entanto, a sagacidade dessa personagem endeusada esconde uma vida de abandono e nem tantas aventuras.

Antes de chegarmos à emblemática personagem histórica, vamos reportar à vida de uma holandesa chamada Margareth Geertruida Zelle McLeod. Nascida em 07/08/1876, Margareth foi fruto do casamento entre Adam Zelle e Antje van der Meulen. Dos pais, herdou a beleza exótica da mãe de origem asiática e o espírito aventureiro de um pai em franca decadência financeira. A situação delicada de sua família piorou quando, aos 15 anos de idade, Maragerth perdeu sua mãe.

A dissolução familiar a motivou a mudar-se para a cidade Leyden onde morou com um casal de tios. No período em que lá viveu, conheceu um funcionário da Companhia das Índias Orientais chamado Rudolph McLeod. Aos dezenove anos, ela estava casada e de malas prontas para conhecer o tão afamado exotismo do mundo Oriental. A vida naquele novo lugar atraiu a jovem recém-casada, que admirava as expressões verbais, as vestimentas e as danças do povo malaio. No entanto, esse período de encantamento foi acompanhado por um casamento infeliz.

Rudolph era alcoólatra e costumava se entregar a incontroláveis acessos de fúria contra a esposa. As péssimas condições do matrimônio ainda se somaram ao envolvimento extraconjugal do marido com a babá dos filhos de Margareth. A babá, enciumada pela condição de esposa desfrutada por Margareth, tramou um pavoroso plano para matar os dois filhos do casal. Na tentativa de envenenar as crianças, um dos filhos de Margareth conseguiu sobreviver. (N.E.: Era um casal de filhos, e quem morreu foi o menino. A filha de Mata Hari morreria mais tarde, aos 21 anos de idade)

O episódio trágico forçou o fim do casamento entre Rudolph e Margareth, que ficou com a guarda do filho sobrevivente. O ex-marido não se conformou com aquela situação e raptou o único filho de Margareth. Desolada, a jovem resolveu viver de maneira independente na cidade de Paris. Durante o tempo que lá passou, viveu de pequenos trabalhos e ganhava algum dinheiro servindo de modelo para alguns artistas da cidade.

As péssimas condições de vida a motivaram a voltar para sua terra natal, onde se envolveu com o rico e influente barão Henri de Marguerie. O rico amante lhe deu condições para mais uma vez retornar a Paris, onde buscou empreender uma carreira artística como dançarina. Naquela época, percebeu que os parisienses adoravam assistir espetáculos exóticos com alusões estéticas à distante cultura Oriental. A partir daí nascia Mata Hari, uma provocante dançarina fantasiada com trajes indianos.

Suas apresentações atingiram enorme sucesso. Em pouco tempo, ela se apresentava nos principais salões freqüentados pelas elites da “cidade das luzes”. A fama e o prestígio abriram portas para uma nova relação amorosa com o banqueiro Félix Rousseau. Entre os anos de 1910 e 1911, Mata Hari abandonou os palcos para viver esse novo relacionamento amoroso à custa do fim de sua fama artística

Com fim do romance, Mata Hari tentou reerguer sua carreira de dançarina na cidade de Berlim. No entanto, o ano era 1914 e o início da Primeira Guerra Mundial restringiu bastante suas oportunidades naquele local. Mais uma vez tentou voltar para a cidade de Paris, mas as desconfiadas barreiras militares montadas durante o conflito lhe impediram de retornar para a França. A movimentação daquela mulher desprendida e solteria começaram a levantar suspeita junto às autoridades inglesas e francesas.

Tempos depois conseguiu retornar para a cidade de Paris sob a vigilância discreta de investigadores franceses e britânicos. Nesse retorno, conheceu o oficial russo Vladimir de Masloff com quem teve uma nova aventura amorosa. Durante esse tempo, o novo companheiro de Mata Hari foi vítima de um tiro no olho que o forçou a buscar tratamento em um hospital militar a trezentos quilômetros da capital francesa.

Greta Garbo como Mata Hari

A inesperada separação instigou a suspeita Mata Hari a buscar notícias de seu amado pelo interior da França. Os franceses, que já lhe consideravam uma espiã inimiga, interceptaram-na e exigiram que ela prestasse serviços de espionagem caso quisesse visitar Vladimir. Desesperada, aceitou a proposta dos oficiais franceses. Em pouco tempo, foi enviada para a Espanha e hospedou-se estrategicamente no Hotel Ritz.

Naquele recinto, entrou em contato com o oficial alemão Hauptmann Kalle com quem teve um relacionamento rigorosamente premeditado. Pouco habilidosa como espiã, não obteve nenhuma informação relevante em relação aos planos do exército alemão. Para piorar a situação da espiã, os franceses decodificaram algumas informações onde o nome de Mata Hari aparecia representado pelo símbolo “H21”. Àquela altura, a França desesperada com sua eminente derrota militar, resolveu prender Mata Hari.

Fuzilamento de Mata Hari – Vincennes, França – 15/10/1917

Acusada de trair os interesses militares franceses e trabalhar como agente duplo, Mata Hari teve sua prisão decretada na cidade de Saint-Lazare. Em seu julgamento, não ficou provado que nenhuma informação relevante ou secreta tivesse sido repassada para os exércitos inimigos da França. No entanto, a condenação daquela mulher entregue a suas paixões serviu para redimir a imagem de uma França amedrontada com a derrota militar. No mês de outubro de 1917, a exótica dançarina holandesa foi condenada ao fuzilamento.

Texto: Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola

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