Londres 2012: Mistura de Mary Shelley e Fritz Lang


Decepcionante talvez não seja a palavra mais exata para definir a festa de abertura dos XXX Jogos Olímpicos da Era Moderna, em Londres; confusa sim.

Londres 2012

A cada edição as cidades organizadoras primam pelo desejo de sobrepujar – em pompa e circunstância – as edições anteriores. Em que pese a declarada economia deste ano – efeito da crise nacional que afeta o Reino Unido e toda a Europa – teria sido gasto menos da metade do que foi em Pequim, ainda restou a sensação de quero mais.

O conjunto da obra assemelhou-se à criatura da, também londrina, escritora Mary Shelley; uma colcha de retalhos sem harmonia, sem diálogo entre suas partes. Pareceu-me que estavam ali opostas, embora justapostas.

Em dado momento tive a nítida sensação de estar assistindo a uma refilmagem de Metrópolis, de Fritz Lang, 1927.

Aliás os ingleses abusaram dos vídeos. Foi difícil saber ao certo o que era filme e o que estava de fato acontecendo no estádio. Sem querer mas já comparando, os chineses tiveram mais audácia nas suas performances. Fazer um espetáculo desses, com bilhões de espectadores no mundo inteiro, requer criatividade  e arrojo; entendo que os súditos da Rainha Elizabeth queriam fazer bonito sem se arriscarem a vexames, mas nessa relação de custo/benefício quem saiu perdendo foi a plasticidade do espetáculo.

Metrópolis, 1927

O único destaque positivo ao meu ver foi a pira olímpica. Inovadora, e concebida no ideal olímpico do congraçamento dos povos.

Outra coisa que mereceu reflexão foi a narração da equipe da Rede Record; muitos que ouviram não ligaram o rosto à pessoa, pareceu que estavam narrando um outro espetáculo. Emir Sader, no tuíter sintetizou: “Parece uma Broadway chinfrin”…

Aos críticos da Olimpíada no Brasil fica a pergunta: Com toda nossa criatividade e riqueza de costumes, conseguiremos fazer pior do que os londrinos?

Duvido.

(E.J)

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4 comentários em “Londres 2012: Mistura de Mary Shelley e Fritz Lang

  1. Pois é, amigo Eudyr…

    E engraçado é que os críticos da vinda dos Jogos Olímpicos para cá, aproveitando que a Globo sofreu uma derrota da Record e não poderá transmitir, quase fingem que as Olimpíadas de Londres não estão acontecendo. Em 2016, os que forem desqualificar nosso país, não vão utilizar Inglaterra como parâmetro. E se assim o fizerem, vão se aproveitar da nossa “memória curta” para dizer que a Inglaterra fez muito mais com muito menos. O grande problema para muitos é que as Olimpíadas vieram com o Lula e não com o FHC.

    • Amigo YSS,

      Se eles fingem, deixe fingir, pois no final, como disse um poeta

      “Se foi bom ou mau disfarce
      Não se sabe nem ao certo
      Mas se olhar mesmo de perto
      Só falamos em disfarce
      Quando algum é descoberto”

      Abraço.

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