Cachaça


 

 

 

A CACHAÇA

No processo de fabricação do açúcar, os escravos realizavam a colheita da cana e, após ser feito o esmagamento dos caules, cozinhavam o caldo em enormes tachos até se transformarem em melado. Nesse processo de cozimento, era fabricado um caldo mais grosso, chamado de cagaça, que era comumente servido junto com as sobras da cana para os animais.

Tal hábito fazia com que a cagaça fermentasse com a ação do tempo e do clima, produzindo um liquido fermentado de alto teor alcoólico. Desse modo, podemos muito bem acreditar que foram os animais de carga e pasto a experimentarem primeiro da nossa cachaça. Certo dia, muito provavelmente, um escravo fez a descoberta experimentando daquele líquido que se acumulava no coxo dos animais.

A PINGA 

Outra hipótese conta que, certa vez, os escravos misturaram um melaço velho e fermentado com um melaço fabricado no dia seguinte. Nessa mistura, acabaram fazendo com que o álcool presente no melaço velho evaporasse e formasse gotículas no teto do engenho. Na medida em que o liquido pingava em suas cabeças e iam até a direção da boca, os escravos experimentavam a bebida que teria o nome de “pinga”.

A ÁGUA ARDENTE

Nessa mesma situação, a cachaça que pingava do teto atingia em cheio os ferimentos que os escravos tinham nas costas, por conta das punições físicas que sofriam. O ardor causado pelo contato dos ferimentos com a cachaça teria dado o nome de “aguardente” para esse mesmo derivado da cana de açúcar. Essa seria a explicação para o descobrimento dessa bebida tipicamente brasileira.

Engenho de São Jorge dos Erasmos – Primeiro engenho de cana do Brasil – 1534
Capitania de São Vicente (Santos) SP

 

A história da cachaça confunde-se com a própria história brasileira.

Cem anos após o Engenho dos Erasmos, e com o advento da exploração das Minas Gerais, a coroa portuguesa decide proibir a fabricação e o consumo da bebida na colônia brasileira. Alegaram que prejudicava e diminuia a produção das minas. Claro que a proibição não deu certo; o que levou Lisboa a taxar o produto, e sobretaxar após o terremoto de 1775 que destruiu Lisboa.

Exatamente essas taxas foram um dos motes da Inconfidência Mineira.

A princípio uma bebida de animais, depois de escravos e trabalhadores rudes, a “mardita” só experimentou o glamour na corte de Pedro II, apreciador da bebida. Só muito mais tarde, já em meados do século passado, é que a caninha passaria a frequentar as prateleiras dos mercados internacionais – já reconhecida como bebida nacional brasileira – juntamente com seus parceiros famosos, o limão, o açúcar e o gelo, que juntos formam a imbatível caipirinha.

 

Em 28 de Maio de 2012, a mais antiga aguardente brasileira, a Ypióca (terra roxa, em tupi) anuncia a venda da marca à empresa americana Johnnie Walker.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fontes:

Brasil Escola

Wikipédia

 

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5 comentários em “Cachaça

  1. A cachaça tornou-se praticamente um ícone da cultura brasileira. Não apenas pela sua composição, mas também por toda a representação da cultura nacional em seus rótulos.
    Em um estudo de tipografia em rótulos de aguardentes realizados pela UFPE ficou evidente que o design vernacular tem uma participação marcante na identidade cultural dessas bebidas. A própria cultura local estava impressa em formas, fontes e cores nos rótulos das aguardentes.

    Gostei bastante da abordagem histórica e cultural da bebida nessa postagem.

    Abraço.

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