Entre ontem e amanhã


Editorial

O apagar das luzes dos anos sempre nos conduzem à reflexão, ao balanço geral do período; muitas vezes extrapolamos e passamos a limpo grandes etapas, não raro, uma vida inteira.
Quando pensei em escrever esse editorial a ideia central que me movia eram os fatos políticos brasileiros, e toda a indignação que a AP 470 impôs aos cidadãos de bem desse país – via STF.
Confesso que escrevi um arrazoado sobre o tema, que depois de lido foi achado bom, mas outras inquietações perpassavam minha mente; não diria mais profundas, porém mais básicas.
De todos os banquetes de fatos que podemos degustar, desse e de anos passados e vindouros, restará sempre um travo, um ranço quase inexplicável, que só o fazer humano é capaz de conferir. Olhando pelas retinas da história enxergo claramente o quão mesquinhos e grandiosos são esses fazeres. Desapaixonadamente falando, e copiando Saint Exupèry, “O essencial é invisível aos olhos”, emendo: Mas não ao coração.
Dito isso, poderia pregar o desapego material como fonte de todas as virtudes, a cornucópia da felicidade; mas se tratando de gente real, não poderia ser tão simples, nem tão complicado. A imagem que me vem à mente é a de uma pessoa que chora emocionada por uma conquista; que se expõe à morte em prol de outrem, rifando nisso a própria existência. Não sei dizer se algumas dessas imagens se referem aos fatos ou à arquétipos, mas no meu entender são a pedra angular do que há de mais importante na vida.
Falo de sentir, talvez por isso seja tão difícil explicar, mas creio que definir seja desnecessário.
Aos que possam estar pensando tratar-se de um arroubo sazonal, me antecipo: Isso ocorre o ano todo. Felizmente ou não, só é externado pela maioria nesse período de festas que vai do Natal ao Ano Novo. Alguns podem argumentar que é um comportamento mais ou menos socialmente condicionado; e não estarão tão longe da verdade; mas se o gesto não é estranho à natureza humana, é passível de ampliação, de multiplicação.
Talvez nos falte sermos pastores de nossos próprios espíritos, corresponsáveis e solidários. Ser agnóstico é uma conquista, ser ateu – por definição – é um desafio insuperável.
As tradições tem peso de lei; não raro são guindadas à essa condição; por isso me despeço desejando que no ano que chega os brasileiros revoguemos definitivamente a “Lei de Gérson”, e que ao menos consigamos ser felizes com nossas próprias limitações.
Feliz 2013!
Eudyr.

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por eudyr Postado em COISAS

Um comentário em “Entre ontem e amanhã

  1. Nossas crenças e conquistas não são simples crenças e conquistas. Elas são tão verdadeiras na mesma proporção da fôrça contida no verbo crer e conquistar. Somente os verdadeiros sábios e os grandes guerreiros o sabe. Caminhemos todos…, no limite máximo de nossas fôrças, sem desisitir jamais…, porque caminhar é crer, e preciso no conquistar.

    Feliz conquistas guerreiro Eudyr nesta Estrada denominada 2013!!! Nas adversidades lembre sempre que quanto maior a escuridão, maior o brilho das estrelas… e que basta apenas um astro para gerar a vida, “e que (diante de tanta grandeza) ao menos consigamos ser felizes com nossas próprias limitações”.
    Feliz 2013!
    Lilia.
    *

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