Calendas de Janeiro


É possível ter pena de si mesmo; esse caminho é tentador, e tão fácil de trilhar porque não desafia. E onde está a graça nisso? Pensando assim é que olho a pia cheia de louças por lavar; as roupas que se acumulam pelos cabides, usadas à exaustão ou, melhor dizendo, ao limite da educação e da amizade.

Se achando esquecido, Corisco – o gato – nunca demonstrou tanta amizade por mim quanto agora; até parou de me mordiscar quando eu o afago. Sinal dos tempos. Sem dúvida é um animal muito mais inteligente do que eu supunha.

O fogão continua lá, cheio de bocas, gritando em silêncio o desafio das panelas; ligo pra um delivery caseiro e zás…! Problema resolvido, por ora. Melhor não me arriscar em minha própria gastronomia, ou: “Nunca se drogue com sua própria mercadoria”, isso serve para donos de bar e traficantes; para mim também serve, por ora.

Na cama em que ainda não me espalhei, o outro lado se ocupa com tralhas, roupas e coisas que surgem dos bolsos a cada vez que chego da rua. Penso que essa displicência seja a mais proposital de todas…

Foi só quando precisei de um melhor amigo que percebi o quanto eu estava indisponível. Isso explica a estranha sensação de estar seguindo – com atraso – minhas próprias pegadas na areia.

Muita calma nessa hora! rss

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