São Paulo quer se reinventar


EDITORIAL

Ontem mais um ‘pequeno milagre’ político aconteceu em nosso país: Um candidato quase inteiramente desconhecido dos eleitores, oriundo de uma pasta sempre problemática – o Ministério da Educação – superou uma inacreditável (!) máquina midiática que, além dos contumazes pseudo-jornalistas , englobava (!) também a mais alta instância do poder judiciário brasileiro.

Um golpe branco, engendrado com minúcia cirúrgica para convergir – em tempo e lugar – às eleições municipais da maior cidade do país, a São Paulo até então considerada um curral eleitoral do que há de mais retrógrado e nefando do rebotalho neo-liberal brasileiro…Tudo em vão!

Não só o eleitorado paulistano, mas todos os movimentos da sociedade civil indicam que a mentalidade dos cidadãos deste país está mudando, e pra melhor. Pouco a pouco a felicidade torna-se fato cotidiano para os brasileiros, um costume que vai se arraigando a tal ponto em que a simples lembrança dos desastres dos governos tucanos causa espécie até aos eleitores mais conservadores da “cidade/estado” mais conservadora.

Parece que os cidadãos tupiniquins vislumbraram a possibilidade de resgatar o Pindorama pré-cabralino, e lançar ao mar o cunhadismo da “Terra Brazilis”.

Na verdade dois fenômenos aconteceram: Um foi a eleição de Haddad, dado como morto ainda no útero pela grande mídia desinformada e desinformadora; outro é a extrema rejeição que a política lacerdista conseguiu alcançar em todas as camadas sociais deste país. Seguramente podemos creditar isso à forma figadal com que seu (ex?) maior expoente – José Serra – se conduz em todos os pleitos que participa.

Constata-se também que o nosso eterno presidente Lula não tem adversários à sua dimensão política. Lula tem o toque de Midas; mostrou-se um visionário que não encontra equivalente nem entre seus pares de partido. Como na magnífica poesia de Vinícius, “O operário faz a coisa, e a coisa faz o operário…e o operário disse: Não!”

Parabenizo o tirocínio dos eleitores paulistanos, sua vontade de mudança, e desejo que todos os paulistas (natos e de coração) levantem-se contra a injustiça e o arbítrio, e que recoloquem São Paulo no lugar de destaque que lhe cabe no cenário político brasileiro.

(Eudyr)

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STF do lado do blefe golpista


47 –Algoz dos chamados “mensaleiros”, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel não comprou a estória relatada por Veja neste fim de semana, segundo a qual Marcos Valério estaria espalhando a “interlocutores” próximos a tese de que Lula era o verdadeiro chefe do mensalão. Gurgel disse que Valério é um “jogador” e que suas declarações devem ser tomadas com cautela – ainda que o advogado de Valério, Marcelo Leonardo tenha negado que seu cliente tenha dado qualquer declaração a Veja.

Ocorre que Valério não é o único “jogador”. Assim como ele, a revista Veja, de Roberto Civita, também decidiu jogar cartas. O objetivo, evidentemente, é aniquilar o ex-presidente Lula. E como numa partida de truco, Veja blefou sem ter o Zap – a carta que derruba todas as outras. No caso concreto, o Zap seria a fita com a entrevista de Marcos Valério. E a possibilidade de que essa fita exista é remotíssima, praticamente nula.

A “existência” da fita, até agora, só foi confirmada pelo jornalista Ricardo Noblat. Disse ele que Valério deu entrevista a Veja e que, depois disso, diante da discordância do advogado Marcelo Leonardo, ele teria recuado e pedido à direção da revista Veja que a publicasse de forma indireta – atribuindo suas declarações a terceiros.

Ocorre que, para que essa estória fosse verdadeira, Valério teria que ter algum poder de pressão sobre Veja. Com que argumento um empresário praticamente falido, à beira da prisão, convenceria um jornalista e uma revista que caça Lula há oito anos a não publicar uma entrevista tão bombástica? Seria impossível qualquer tipo de acordo.

Se é assim, por que o PT ou os “petralhas” (como diz Reinaldo Azevedo) então não pedem a fita? Por uma razão bastante simples. Ninguém sabe, a esta altura do campeonato, qual é o estado emocional de Marcos Valério, um empresário que serviu ao PSDB, ao PT e que, em vez de ser recompensado, está prestes a ser preso. E por muitos anos.

O truque de Veja foi simplesmente utilizar uma das artimanhas mais manjadas do jornalismo – mas com uma audácia inédita. O “disse a interlocutores próximos” sempre foi um recursos utilizados por dois tipos de jornalistas: os que simplesmente inventam “offs” e aqueles que, de boa fé, aproximam-se de fontes que possuem informações relevantes, mas não podem se identificar. Só que, nestes casos, as “declarações” não são colocadas entre aspas – e nem vendidas aos leitores, na primeira página, como uma entrevista em “on”, com fita e gravador.

A reportagem foi apenas a peça inicial de um golpe engendrado. Uma entrevista inventada, tomada por verdade por adversários de Lula na política e nos meios de comunicação, e que paira no ar como o pretexto para uma futura ação judicial contra o ex-presidente.

Um blefe. Uma trucada. Mas sem o Zap.

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Serra = Baixaria


Serra apela de novo à baixaria

Por Ricardo Kotscho, no blog Balaio do Kotscho:

A natureza humana pode tardar, mas não falha. E a história se repete como farsa. Ao chegar a malufianos 46% de rejeição, o candidato tucano José Serra jogou os escrúpulos à favas, rasgou a fantasia e, como costuma fazer quando se vê acuado, partiu de novo para a baixaria eleitoral.
Nem a presidente Dilma Rousseff escapou dos seus ataques de ira diante dos novos números negativos da pesquisa Datafolha divulgados na quarta-feira, que reforçam a possibilidade dele ficar fora do segundo turno.

“Ela vem meter o bico em São Paulo, vem dizer aos paulistanos como é que eles devem votar. Ela que mal conhece São Paulo vem aqui dar o seu palpite”, disparou Serra, num dos seus melhores momentos de Serra.

Ela, no caso, é a presidente Dilma, que apóia, vejam só!, o candidato do seu partido, Fernando Haddad. Por sua reação, Serra deve achar que só tucanos podem meter seu bico grande nas eleições paulistanas, como fez o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para apoiar o candidato do PSDB, com toda pompa e circunstância, como se estivesse falando numa rede nacional de rádio e televisão.

Parece não ter dado muito certo o único “fato novo” criado pela campanha de Serra nos dias anteriores à pesquisa. A rejeição do tucano aumentou mais quatro pontos e a intenção de votos caiu mais um. O “saldo negativo” do candidato do PSDB na pesquisa, comparando a rejeição com o índice de intenção de votos, que caiu para 20%, já é de 26 pontos.

Em entrevistas raivosas e ensandecidos comerciais de televisão, o tucano foi à guerra, atirando para todo lado. Como já era de se esperar, colocou o julgamento do mensalão na roda.

“Sabe o que acontece quando você vota no PT? Você vota, ele volta. Fique esperto. É o velho PT em nova embalagem”, atacou Serra por meio de um narrador terceirizado nos comerciais em que o candidato petista aparece ao lado de José Dirceu e Delúbio Soares, réus no processo.

A nova ofensiva tucana fez Fernando Haddad também subir o tom, deixando de lado o modo cordato como vinha conduzindo sua campanha até aqui, sem ataques aos adversários. O petista também pegou pesado:

“Ele está batendo recordes atrás de recordes de rejeição. Daqui a pouco não vai poder circular pela cidade. A baixeza de Serra é conhecida, e ele está pagando por isso. A população repudia o estilo dele de fazer política. Não é só questão de decadência política. É um problema de estilo. Ele é useiro e vezeiro em baixar o nível. É da genética dele”.

Na guerra deflagrada entre PT e PSDB por uma vaga no segundo turno, quem acabou ganhando com o novo confronto foi o líder nas pesquisas, Celso Russomanno, do PRB, que só ficou assistindo ao tiroteio e continua nadando de braçada.

Os marqueteiros-estrategistas dos dois partidos repetem assim o mesmo erro cometido desde o início da campanha de 2012: ficam batendo no adversário histórico e se esquecem da autonomia do eleitor que, até aqui, escolheu uma terceira via fora da polarização entre tucanos e petistas, tirando votos dos dois lados.

Também neste campo os números do Datafolha não são nada animadores para José Serra. Dos eleitores de Russomanno que podem mudar de voto, 27% escolheriam Haddad; 20%, José Serra. Na pesquisa anterior, a situação era inversa: 26% optavam por Serra; 19% por Haddad.

Indagados sobre em qual candidato não votariam de jeito nenhum, 63% dos eleitores de Russomanno responderam Serra, e 19%, Haddad.

Ou seja, para onde olha, Serra só vê nuvens negras do horizonte. Agora, só falta o candidato tucano pedir para os eleitores pegarem em armas, eliminarem os adversários a bala e lhe assegurarem a vitória por aclamação. Alguns blogueiros celerados que o apoiam já estão chegando a este ponto.

Muita calma nesta hora.

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Dia Histórico: os Blogueiros Brasileiros e a Carta de Salvador


Contra a Judicialização da Censura

 

A Carta de Salvador:

 

“A participação de quase 300 ativistas digitais de todo o país, no III Encontro Nacional de Blogueiro@s, realizado entre os dias 25 e 27 de maio em Salvador, na Bahia, consolidou o primeiro ciclo do mais importante movimento digital do Brasil, iniciado em agosto de 2010.

Surgido como uma reação aos monopólios de mídia, que se baseiam num modelo usurpador quase que exclusivamente voltado à defesa dos interesses do grande capital em detrimento das aspirações populares, o movimento nacional dos Blogueiros e Blogueiras Progressistas desdobrou-se em inúmeros encontros municipais, regionais e estaduais, além de três encontros nacionais (São Paulo, Brasília e Salvador) e um internacional, realizado, em outubro de 2011, na cidade de Foz do Iguaçu, no Paraná.

Neste curto espaço de tempo, este movimento ganhou legitimidade política e enorme dimensão social. Foi capaz de influir fortemente no debate sobre a necessidade de se democratizar a comunicação no Brasil. Em suma, temos saído vitoriosos nesta guerra dura contra a mídia ainda hegemônica. Lutamos com as armas que temos, todas baseadas na crescente força da blogosfera e das redes sociais.

O principal reflexo dessa atuação, ao mesmo tempo organizada e fragmentada, tem sido o incômodo permanente causado nos setores mais conservadores e reacionários da velha mídia nacional, um segmento incapaz não apenas de racionalizar a dimensão do desafio que tem pela frente, mas totalmente descolado das novas realidades de comunicação e participação social ditadas, inexoravelmente, pelas novas tecnologias.

Apegam-se, de forma risível, a um discurso tardiamente articulado de defesa das liberdades de imprensa e de expressão, conceitos que mal entendem, mas que confundem, deliberadamente, para manipular o público em favor de interesses inconfessáveis. Posam, sem escrúpulo algum, de defensores de uma liberdade que não passa, no fim das contas, da liberdade de permanecerem à frente dos oligopólios de comunicação que tantos danos têm causado à democracia brasileira. Para tal, chegam a pregar abertamente restrições à internet, apavorados que estão com a iminente ruína de um modelo de negócios em franca crise em todo o mundo, com a queda de tiragem da mídia impressa e da audiência da radiodifusão, com consequências diretas no processo de captação de receita publicitária.

Para tornar ainda mais nítida e avançada a discussão sobre a democratização da comunicação no Brasil, o III BlogProg decidiu concentrar suas energias, daqui em diante, em duas questões fundamentais.

A primeira é a luta por um novo marco regulatório das comunicações assentado em uma Lei de Mídia capaz de estabelecer formalmente a questão da comunicação como um direito humano essencial. Neste sentido, o III BlogProg decidiu interagir com a campanha do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC). Campanha esta que visa pressionar o governo federal, de modo a desencadear de imediato o debate sobre este tema estratégico para toda a sociedade brasileira.

A segunda batalha decisiva é a de reforçar a defesa da ação da blogosfera e das redes sociais diante do constante ataque de setores conservadores estimulados e financiados pela velha mídia. Trata-se de um movimento articulado, inclusive, no Congresso Nacional, com o objetivo de criar obstáculos e amarras capazes de cercear a livre circulação de ideias pela internet, além de criminalizar o ativismo digital. Em outro front, cresce a judicialização da censura, feita com a cumplicidade de integrantes do Poder Judiciário, utilizada para tentar asfixiar financeiramente blogs e sítios hospedados na rede mundial de computadores. Mais preocupante é o aumento de casos de violência contra Blogueiros e ativistas digitais em todo o país, inclusive com assassinatos, como no caso dos Blogueiros Edinaldo Filgueira, do Rio Grande do Norte, e Décio Sá, do Maranhão.

A nossa luta, portanto, não é a luta de um grupo, mas de toda a sociedade pela neutralidade e pela liberdade na rede. É pela implantação de uma cultura solidária e democrática do uso e da difusão das informações. É uma luta pela igualdade das relações desse uso com base única e exclusivamente no que diz e manda a Constituição Federal, a mesma Carta Magna que proíbe tanto o monopólio da comunicação como a propriedade de veículos de comunicação por parte de políticos – duas medidas solenemente ignoradas pelas autoridades, pelos agentes da lei e, claro, pelos grupos econômicos que há décadas usufruem e se locupletam desse estado de coisas.

Para tanto, este III Encontro adota – como norte para orientar a nova fase da luta – uma ideia simples e direta: Nada além da Constituição!

As bandeiras da liberdade de informação e de expressão, assim como a da universalização do acesso à banda larga, são nossas. Qualquer tentativa de usurpá-las – ainda mais por parte de quem jamais defendeu a democracia no Brasil – é uma manipulação inaceitável.”