Louise Brooks, a Pandora


Louise nasceu em Kansas, nos Estados Unidos, em 14 de novembro de 1906. Filha de um advogado, Leonard Porter Brooks, e de Myra Rude, foi uma das mais influentes atrizes do filmes mudos. Aos 4 anos de idade já estava no palco de sua cidade. Aos 15, decide ir sozinha para New York e une-se à Denishaw Dance Company, principal companhia de dança moderna americana. Em 1923, faz diversas apresentações nos Estados Unidos e Canadá, sempre com muito sucesso. Em 1925 une-se ao legendário grupo Ziegfeld Follies, onde conquista posição de destaque, e faz seu primeiro filme The Street of Forgotten Men. Assina a seguir um contrato de 5 anos com a Paramount Pictures e em 1927 muda-se para Hollywood, onde participa de diversas produções.

Teve uma carreira breve em Hollywood, tendo participado de 24 filmes entre os anos 1925 e 1938. Sua imagem e atitudes permanecem, no entanto, como símbolos de uma época, e uma de suas características mais lembradas será sempre o corte de cabelo liso e curto, que lançou moda e tornou-se um ícone dos anos 20.

Foi, sem dúvida, uma atriz à frente de seu tempo. Escorpiana e dona de uma beleza incomum, também era dotada de uma personalidade fortíssima e uma determinação sem igual. Numa época em que a maioria dos atores e atrizes, para ter trabalho, tornavam-se submissos e eram explorados ao máximo, mal pagos, e frequentemente nem tinham seus nomes exibidos nos créditos dos filmes, o temperamento de Louise era por demais explosivo, e ela, ao não aceitar as normas vigentes na ainda jovem Hollywood, incomodou muito aos donos de estúdios.

Em 1928, após o produtor B.P.Schulberg lhe negar um aumento, Louise deixa a Paramount e embarca rumo à Alemanha a convite do diretor G.W.Pabst para filmar o filme que viria a ser o seu maior sucesso: A Caixa de Pandora, onde ela interpreta Lulu, uma mulher sedutora, que hipnotiza e destrói todos os homens que se aproximam dela. Há quem diga que sua tumultuada vida amorosa teria lhe servido de inspiração para a personagem. De fato Louise teve muitos romances, sendo o mais famoso com Charles Chaplin.

No final desse ano, ela retorna à Hollywood e, já no início da era do cinema sonoro, ainda aborrecida com a Paramount, recusa uma oferta de US$10.000 para dublar seu personagem no filme Canary Murder Case, produzido sem som e por isso ainda não lançado. Os produtores, furiosos com ela, espalharam o boato que Louise tinha uma voz horrível e por isso não poderia dublar o filme. Num momento em que o cinema deixava de ser mudo e produções sonoras tomavam conta do mercado, a mentira teve um efeito fulminante na carreira de Louise, e fez com que ela fosse encostada em definitivo pelos produtores e esquecida pelo público. Entre 1929 e 1938, participa de poucas produções na Europa e nos Estados Unidos. Em 1943, volta à Nova York, conseguindo trabalho na Rádio CBS. Nos anos seguintes, esquecida pelo cinema e pelo público, ganha seu sustento de várias formas, inclusive como vendedora da loja Sak’s Fifth Avenue.

Em 1948, começa a escrever sua biografia, que ela mesma destrói ao terminar. Frustrada, ela teria justificado dizendo que “Ao escrever a história de uma vida, acho que o leitor não pode entender a personalidade e as ações de uma pessoa ao menos que sejam explicados os amores, ódios, e conflitos sexuais dessa pessoa. Não estou disposta a escrever a verdade sexual que tornaria minha vida digna de ser lida“. Apesar disso, daí para a frente dedica-se quase que exclusivamente à literatura, até que seu seu livro Lulu in Hollywood torna-se um best seller.

Em 1955, na exposição 60 Anos de Cinema realizada no Museu de Arte Moderna, em Paris, foi colocado na entrada do prédio, em grande destaque, um imenso pôster de Louise. Perguntado porque havia escolhido Louise para aquela posição de honra e não Greta Garbo ou Marlene Dietrich, atrizes bem mais populares na época, o diretor da Cinemateque Française, Henri Langlois, fez a declaração que se tornaria eterna: “Não existe Garbo. Não existe Dietrich. Existe apenas Louise Brooks“.

Com poucos amigos, Louise teve uma vida reclusa, sofrendo por muitos anos de artrite deformante, e falecendo no dia 8 de agosto de 1985, aos 78 anos de idade, em Nova York.

Morte

Em 8 de agosto de 1985, Brooks foi encontrada morta vitimada por ataque cardíaco. Ela foi sepultada na cidade de Rochester.

Filmografia

Overland Stage Raiders (1938) …. Beth Hoyt

King of Gamblers (1937) (cenas descartadas) …. Joyce Beaton
When You’re in Love (1937) (sem créditos) …. Specialty Ballerina
Empty Saddles (1936) …. ‘Boots’ Boone
Hollywood Boulevard (1936) (cenas descartadas) …. Palel Inderteminado
Who’s Who in the Zoo (1931)
Windy Riley Goes Hollywood (1931) …. Betty Grey
God’s Gift to Women (1931) …. Florine
It Pays to Advertise (1931) …. Thelma Temple
Prémio de Beleza (1930) …. Lucienne Garnier
… ou “Prix de beauté (Miss Europe)” – França (título original)
Diário de Uma Perdida (1929) …. Thymian
… ou “Tagebuch einer Verlorenen” – Alemanha (título original)
The Canary Murder Case (1929) …. ‘The Canary’ – Margaret O’Dell
A Caixa de Pandora (1929) …. Lulu
… ou “Die Büchse der Pandora” – Alemanha (título original)
Beggars of Life (1928) …. The Girl (Nancy)
Uma Companheira em Cada Pôrto (1928) …. Marie, Girl in France
… ou “A Girl in Every Port” – USA (título original)
A Cidade Bulicosa (1927) …. Snuggles Joy
… ou “The City Gone Wild” – USA (título original)
Now We’re in the Air (1927) …. Griselle/Grisette
Rolled Stockings (1927) …. Carol Fleming
Evening Clothes (1927) …. Fox Trot
Just Another Blonde (1926) …. Diana O’Sullivan
The Show Off (1926) …. Clara, Joe’s Girl
It’s the Old Army Game (1926) …. Mildred Marshall
A Social Celebrity (1926) …. Kitty Laverne
Love ‘Em and Leave ‘Em (1926) …. Janie Walsh
The American Venus (1926) …. Miss Bayport
The Street of Forgotten Men (1925) (sem créditos) …. A Moll
Fontes:
Wikipedia
Youtube
Retrô: Vamos lembrar
.

Cachaça


 

 

 

A CACHAÇA

No processo de fabricação do açúcar, os escravos realizavam a colheita da cana e, após ser feito o esmagamento dos caules, cozinhavam o caldo em enormes tachos até se transformarem em melado. Nesse processo de cozimento, era fabricado um caldo mais grosso, chamado de cagaça, que era comumente servido junto com as sobras da cana para os animais.

Tal hábito fazia com que a cagaça fermentasse com a ação do tempo e do clima, produzindo um liquido fermentado de alto teor alcoólico. Desse modo, podemos muito bem acreditar que foram os animais de carga e pasto a experimentarem primeiro da nossa cachaça. Certo dia, muito provavelmente, um escravo fez a descoberta experimentando daquele líquido que se acumulava no coxo dos animais.

A PINGA 

Outra hipótese conta que, certa vez, os escravos misturaram um melaço velho e fermentado com um melaço fabricado no dia seguinte. Nessa mistura, acabaram fazendo com que o álcool presente no melaço velho evaporasse e formasse gotículas no teto do engenho. Na medida em que o liquido pingava em suas cabeças e iam até a direção da boca, os escravos experimentavam a bebida que teria o nome de “pinga”.

A ÁGUA ARDENTE

Nessa mesma situação, a cachaça que pingava do teto atingia em cheio os ferimentos que os escravos tinham nas costas, por conta das punições físicas que sofriam. O ardor causado pelo contato dos ferimentos com a cachaça teria dado o nome de “aguardente” para esse mesmo derivado da cana de açúcar. Essa seria a explicação para o descobrimento dessa bebida tipicamente brasileira.

Engenho de São Jorge dos Erasmos – Primeiro engenho de cana do Brasil – 1534
Capitania de São Vicente (Santos) SP

 

A história da cachaça confunde-se com a própria história brasileira.

Cem anos após o Engenho dos Erasmos, e com o advento da exploração das Minas Gerais, a coroa portuguesa decide proibir a fabricação e o consumo da bebida na colônia brasileira. Alegaram que prejudicava e diminuia a produção das minas. Claro que a proibição não deu certo; o que levou Lisboa a taxar o produto, e sobretaxar após o terremoto de 1775 que destruiu Lisboa.

Exatamente essas taxas foram um dos motes da Inconfidência Mineira.

A princípio uma bebida de animais, depois de escravos e trabalhadores rudes, a “mardita” só experimentou o glamour na corte de Pedro II, apreciador da bebida. Só muito mais tarde, já em meados do século passado, é que a caninha passaria a frequentar as prateleiras dos mercados internacionais – já reconhecida como bebida nacional brasileira – juntamente com seus parceiros famosos, o limão, o açúcar e o gelo, que juntos formam a imbatível caipirinha.

 

Em 28 de Maio de 2012, a mais antiga aguardente brasileira, a Ypióca (terra roxa, em tupi) anuncia a venda da marca à empresa americana Johnnie Walker.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fontes:

Brasil Escola

Wikipédia

 

.

Um dedo apontando pro céu: O homem de cabelos cinzas


“Isabel sempre foi estranha: colecionava receitas culinárias, recebia cartas com receitas de Hong Kong, era a favor dos Estados Unidos na América Latina e contra os Estados Unidos no Vietnã, chamava Fidel Castro de cortador de cana do Caribe e bastava falar em Che Guevara para ficar com um cisco nos olhos e querer morrer na selva da Bolívia usando o nome de guerra de Tânia, com um tiro no coração..”

(Roberto D: ” Isabel numa sexta feira”; inspirado em Ângela Diniz)

 

A curiosidade matou o gato, diz uma antiga sabedoria popular;  Este conto do Roberto D. ilustra muito bem a veracidade daquelas palavras. Antes disso lembrei de uma passagem do excelente filme “O Fabuloso destino de Amelie Poulin”. Nela encontrei a frase exata, a que poderia definir esta postagem: “Quando um dedo aponta para o céu, o idiota fica olhando o dedo…”. Perfeito!

O conto trata de um homem misterioso que é seguido por um número crescente de agentes e outros personagens, todos vivamente interessados em descobrir o que  o Homem de cabelos cinzas levava consigo…Acompanhem os trechos:

Às primeiras horas da manhã de uma 2ª feira um homem de cabelos cinza começou a ser seguido no aeroporto Santos Dumont. Trajava um elegante terno Cardin e acariciava, por baixo do paletó, um misterioso objeto guardado exatamente em cima do coração. Um dos agentes que po espionavam, o gordo, careca, com cara de agente arrependido da ex-PIDE, conseguiu o eletrocardiograma do homem de cabelos cinza.

Logo que chegou ao aeroporto o homem de cabelos cinzas tirou o misterioso objeto e o examinou. Seus olhos brilhavam intensamente. O careca que o espionava e o cabeludo que espionava o careca acreditaram ter visto um estojo de carregar pedras preciosas igual ao que o Xá do Irã deu à Farah Diba. O careca teve a certeza (mais tarde abalada) de que a água-marinha Marta Rocha estava em poder do homem de cabelos cinzas. E esfregou as gordas mãos.

Pouco depois, o homem de cabelos cinzas olhou o misterioso objeto, fingindo que lia a manchete do jornal “O Globo” e os 17 homens que o espionavam e que se espionavam nada conseguiram descobrir. Apenas viram sua expressão de felicidade. E o acharam mais suspeito.

às 7h e 45m já havia 32 agentes (sendo 18 homens, 6 mulheres e 8 travestis) seguindo os passos do homem de cabelos cinzas.

Entrementes, o homem de cabelos cinzas consultou seu relógio Omega de pulso. Eram 7h e 51m e ele se sentou numa poltrona no hall do aeroporto Santos Dumont, abrindo a revista “Time” na página 59, na seção “Books”. Os 42 espiões, agora acrescidos de mais 3 travestis e 2 agentes da Interpol, que passavam férias-prêmio no Rio de janeiro, descobriram que o homem de cabelos cinzas usava meia LUPO VERDE DE cR$ 6,00, sapato Samelo nº 39 de Cr$ 180,00, cueca Champion com fio da Escócia, cor beje, de Cr$ 32,00, gravata Cardin vervelha, presente de um banqueiro, a quem não conhecia, que estava lendo o artigo “Hesitation Waltz”, da Time, sobre Günter Grass, alemão, nascido em Danbtzig, em 1927, ex-pintor, bigodudo, escritor (e, por isso mesmo, suspeito)…Só não descobriram duas coisas:

– A causa da revoltante felicidade que relampeava nois olhos do homem de cabelos cinzas.

– Qual era o misterioso objeto que ele acarciciava em cima do coração.

Quando, graças à ação de 33 Ave-marias, 49 Padre-nossos, 68 Salve-rainhas, 21 Novenas Poderosas ao Menino Jesus de Praga, e 71 Creio em Deus Padre, rezados pelos espiões, e ainda com a ajuda de duas poderosas turbo-hélices, o Samurai levantou vôo, sem explodir nem cair, e começou a voar por um cé calmo de andorinhas, os 58 agentes admitiam que o misterioso objeto acariciado pelo homem de cabelos cinzas podia ser:

– A água-marinha Marta Rocha, avaliada em algum milhões de dólares: 46 suspeitas.

– Uma comprometedora carta de amor de Sarah Diba ao líder guerrilheiro palestino Yasser Arafat: 17 suspeitas.

– O coração de Gina Lollobigida, transplantado pelo dr. Christian Barnard: 4 suspeitas.

– O vírus da gripe Vietcong: 9 suspeitas.

– Uma carta de amor de Mao Tsé-tung para Henry Kissinger: 3 suspeitas.

– Um comprimido de LSD: 54 suspeitas.

– O que será que ele olha tanto? – Pergunta-se a aeromoça, fanática com James Bond – Porque ele, mesmo de costas, parece tão feliz?

(Nesta parte do conto, ocorre uma turbulência e o avião Samurai é chacoalhado pra todos os lados; os espiões entram em desespero, só quem se mantém calmo é o homem de cabelos cinzas)

Quando, enfim, graças a suas duas poderosas turbo-hélices e a 839 Ave-marias, 516 Padre-nossos, 401 Salve-rainhas, 191 Creio em Deus Padre, 83 Novenas Poderosas ao menino Jesus de Praga, o Samurai pousou naquele chão que o travesti espião Marilyn Monroe jurou beijar, a aeromoça andou com suas magras pernas de aeromoça, saltando os corpos caídos no chão molhado do Samurai, e parou ao lado do homem de cabelos cinzas. Então ela viu o que nenhum dos 58 agentes tinham conseguido ver: viu o homem de cabelos cinzas abrir uma caixa de fósforos Granada e ficar olhando um fio louro de cabelo de mulher.

Roberto Drummond

.

A sacanagem muda de nome, mas nunca de natureza


Outro dia, procurando por contos brasileiros no Google,  deparei-me com um blog cuja matéria-anúncio republico abaixo:

Procura-se

Uma leitora assídua, ciente da audiência deste blog, pediu que publicássemos o anúncio abaixo. Ela está realmente à procura. Só atendemos por se tratar de leitora fiel, pois o MCP não é classifisex. Interessados (ou interessadas: não custa tentar) devem se candidatar nos comentários.

“Procura-se amante virtual que fique online o maior tempo possível. Que mostre o instrumento de trabalho somente se for solicitado. Discreto. Que saiba conversar diversos assuntos. Necessário ser um amante à moda antiga, que mesmo à distância seja gentil e criativo, paciente e divertido, sabendo mentir o suficiente para ter crédito e fantasioso o bastante para que suas abobrinhas virtuais se perpetuem durante dias na mente da CONTRATANTE. Necessário o envio de mensagens, músicas, fotos e poemas, A escolha será efetuada a partir das declarações convincentes. Os pré-selecionados responderão a um questionário online com perguntas sobre assuntos gerais, relacionamento, anatomia, preferências noturnas. Aquele que fizer o coração e o sininho baterem mais fortes será o escolhido. O CONTRATADO tem que estar ciente de que há possibilidade de viagens, portanto que seja, pelo menos, parcialmente disponível. Fetiches e taras são bem aceitos.”

Inscrições nos comentários deste post.

Obs.: A foto “instagrâmica” é ilustrativa. Trata-se de uma bela MCPmate. Mas confere com o material da CONTRATANTE.

.

 .

Feijoada Completa


Mais do que a soma de seus ingredientes, a feijoada é a reunião das pessoas, uma verdadeira instituição brasileira.

Feijoada: breve história de uma instituição comestível

Feijoada

“O paladar não é tão universal como a fome”, disse Luís da Câmara Cascudo em 1968. O ilustre etnógrafo e mais importante folclorista do País referia-se a um prato brasileiro, talvez o mais tipicamente brasileiro: a feijoada.

Para ele, era preciso uma predisposição especial para que se pudesse apreciar os sabores do prato, assim como para usufruir de todas as nuanças de certos vinhos. Em outras palavras, a culinária – e mesmo a “simples” apreciação desta – pressupõe a educação de um importante sentido, o paladar. Por isso, é bom conhecer um pouco da trajetória dessa instituição nacional que, além de ser uma das mais perenes, tem a vantagem de ser comestível.

Convencionou-se que a feijoada foi inventada nas senzalas. Os escravos, nos escassos intervalos do trabalho na lavoura, cozinhavam o feijão, que seria um alimento destinado unicamente a eles, e juntavam os restos de carne da casa-grande, partes do porco que não serviam ao paladar dos senhores. Após o final da escravidão, o prato inventado pelos negros teria conquistado todas as classes sociais, para chegar às mesas de caríssimos restaurantes no século XX.

VÍDEO HILÁRIO, AO SOM DE CHICO BUARQUE

Mas não foi bem assim.

A história da feijoada – se quisermos também apreciar seu sentido histórico – nos leva primeiro à história do feijão. O feijão-preto, aquele da feijoada tradicional, é de origem sul-americana. Os cronistas dos primeiros anos de colonização já mencionam a iguaria na dieta indígena, chamado por grupos guaranis ora comanda, ora comaná, ora cumaná, já identificando algumas variações e subespécies. O viajante francês Jean de Léry e o cronista português Pero de Magalhães Gândavo, ainda no século XVI, descreveram o feijão, assim como o seu uso pelos nativos do Brasil. A segunda edição da famosa Historia Naturalis Brasiliae, do holandês Willen Piso, revista e aumentada em 1658, tem um capítulo inteiro dedicado à nobre semente do feijoeiro.

O nome pelo qual o chamamos, porém, é português. Na época da chegada dos europeus à América, no início da Idade Moderna, outras variedades desse vegetal já eram conhecidas no Velho Mundo, aparecendo a palavra feijão escrita pela primeira vez, em Portugal, no século XIII (ou seja, cerca de trezentos anos antes do Descobrimento do Brasil).

Apenas a partir de meados do século XVI, começou-se a introduzir outras variedades de feijão na colônia, algumas africanas, mas também o feijão consumido em Portugal, conhecido como feijão- fradinho (de cor creme, ainda hoje muito popular no Brasil, utilizado em saladas e como massa para outros pratos, a exemplo do também famoso acarajé). Os cronistas do período compararam as variedades nativas com as trazidas da Europa e África, e foram categóricos, acompanhando a opinião do português Gabriel Soares de Souza, expressa em 1587: o feijão do Brasil, o preto, era o mais saboroso. Caiu no gosto dos portugueses.

As populações indígenas obviamente o apreciavam, mas tinham preferência por outro vegetal, a mandioca, raiz que comiam de várias formas – e até transformavam em bebida fermentada, o cauim – e que caiu também nas graças dos europeus e dos africanos. A mandioca era o alimento principal dos luso-americanos da capitania de São Paulo, os paulistas, que misturavam sua farinha à carne cozida, fazendo uma paçoca que os sustentava nas suas intermináveis viagens de caça a índios para a escravização. Mas também comiam feijão. Feijão-preto.

Feijoada

O feijoeiro, em todas as suas variedades, também facilitou a fixação das populações no território luso-americano. Era uma cultura essencialmente doméstica, a cargo da mulher e das filhas, enquanto o homem se ocupava com as outras plantações e com o gado. A facilidade do manejo e seus custos relativamente baixos fizeram com que a cultura do feijão se alastrasse no século XVIII entre os colonos. Segundo Cascudo, tornou-se lugar-comum nas residências humildes do interior do País a existência do “roçadinho”, no qual era atributo quase que exclusivo das mulheres o “apanhar” ou “arrancar” feijões.

A dispersão populacional dos séculos XVIII e XIX (até então a colonização era restrita às áreas litorâneas), seja por conta dos currais do Nordeste, do ouro e dos diamantes do Centro-Oeste ou das questões de fronteira com os domínios espanhóis no Sul, foi extremamente facilitada pelo prestigiado vegetal. Atrás dos colonos, foi o feijão. Ao lado da mandioca, ele fixava o homem no território e fazia, com a farinha, parte do binômio que “governava o cardápio do Brasil antigo”.

No início do século XIX, absolutamente todos os viajantes que por aqui passaram e descreveram os hábitos dos brasileiros de então mencionaram a importância central do feijão como alimento nacional.

No início do século XIX, absolutamente todos os viajantes que por aqui passaram e descreveram os hábitos dos brasileiros de então mencionaram a importância central do feijão como alimento nacional. Henry Koster afirmou em Recife, em 1810, que o feijão cozido com o sumo da polpa do coco era delicioso. O príncipe Maximiliano de Wied-Neuwied comeu feijão com coco na Bahia, em 1816, e adorou. O francês Saint-Hilaire sentenciava, nas Minas Gerais de 1817: “O feijão-preto forma prato indispensável na mesa do rico, e esse legume constitui quase que a única iguaria do pobre”. Carl Seidler, militar alemão, narrando o Rio de Janeiro do Primeiro Reinado, descrevia, em 1826, a forma como era servido: “acompanhado de um pedaço de carne de rês (boi) seca ao sol e de toucinho à vontade”, reproduzindo em seguida uma máxima que atravessaria aquele século e constitui ainda hoje, para o brasileiro comum, uma verdade insuperável: “não há refeição sem feijão, só o feijão mata a fome”. Mas, destoando dos outros cronistas, opinava: “o gosto é áspero, desagradável”. Segundo ele, só depois de muito tempo o paladar europeu poderia acostumar-se ao prato. Spix e Martius, naturalistas que acompanharam a comitiva da primeira imperatriz do Brasil, a arquiduquesa austríaca Leopoldina, fizeram referência à “alimentação grosseira de feijão-preto, fubá de milho e toucinho” em Minas Gerais. Também citaram o feijão como alimento básico dos baianos, inclusive dos escravos. O norte-americano Thomas Ewbank, em 1845, escreveu que “feijão com toucinho é o prato nacional do Brasil”.

Porém, o retrato mais vivo do preparo comum do feijão – não é ainda a feijoada – foi feito pelo pintor francês Jean-Baptiste Debret, fundador da pintura acadêmica no Brasil, sobrinho e discípulo de Jacques-Louis David. Descrevendo o jantar da família de um humilde comerciante carioca durante a estadia da corte portuguesa no Rio de Janeiro, afirmou que “se compõe apenas de um miserável pedaço de carne-seca, de três a quatro polegadas quadradas e somente meio dedo de espessura; cozinham-no a grande água com um punhado de feijões-pretos, cuja farinha cinzenta, muito substancial, tem a vantagem de não fermentar no estômago. Cheio o prato com esse caldo, no qual nadam alguns feijões, joga-se nele uma grande pitada de farinha de mandioca, a qual, misturada com os feijões esmagados, forma uma pasta consistente que se come com a ponta da faca arredondada, de lâmina larga. Essa refeição simples, repetida invariavelmente todos os dias e cuidadosamente escondida dos transeuntes, é feita nos fundos da loja, numa sala que serve igualmente de quarto de dormir”.

Feijoada

loja di carne secca, jean-baptiste debret. aquarela sobre papel, 15,2 x 20,4 cm, 1825.

 

Além de professor da Academia Real de Belas-Artes, Debret, que esteve no Brasil entre 1816 e 1831, notabilizou- se pela realização de uma verdadeira crônica pictórica do país do início do século XIX, em especial do Rio de Janeiro, na qual constam pinturas como Armazém de carne-seca e Negros vendedores de lingüiça, além da referida cena da refeição.

Portanto, nem só de feijão viviam os homens. Os indígenas tinham uma dieta variada, e o feijão nem mesmo era o seu alimento preferido. Os escravos também comiam mandioca e frutas, apesar da base do feijão. Mas há o problema da combinação de alimentos, também levantado por Câmara Cascudo na sua belíssima História da Alimentação no Brasil. Havia, na Época Moderna, entre os habitantes da colônia (sobretudo os de origem indígena e africana), tabus alimentares que não permitiam uma mistura completa do feijão e das carnes com os outros legumes. Entre os africanos, aliás, muitos de origem muçulmana ou influenciados por esta cultura, havia interdição do consumo da carne de porco. Como, afinal, poderiam fazer nossa conhecida feijoada?

Na Europa, sobretudo na Europa de herança latina, mediterrânica, havia – e há, informa Cascudo – um prato tradicional que remonta pelo menos aos tempos do Império Romano. Consiste basicamente em uma mistura de vários tipos de carnes, legumes e verduras. Há variações de um lugar para o outro, porém é um tipo de refeição bastante popular, tradicional. Em Portugal, o cozido; na Itália, a casoeula e o bollito misto; na França, o cassoulet; na Espanha, a paella, esta feita à base de arroz. Essa tradição vem para o Brasil, sobretudo com os portugueses, surgindo com o tempo – na medida em que se acostumavam ao paladar, sobretudo os nascidos por aqui – a idéia de prepará-lo com o onipresente feijão-preto, inaceitável para os padrões europeus. Nasce, assim, a feijoada.

O que se sabe de concreto é que as referências mais antigas à feijoada não têm nenhuma relação com escravos ou senzalas, mas sim a restaurantes freqüentados pela elite escravocrata urbana.

Segundo Câmara Cascudo, “o feijão com carne, água e sal, é apenas feijão. Feijão ralo, de pobre. Feijão todo-dia. Há distância entre feijoada e feijão. Aquela subentende o cortejo das carnes, legumes, hortaliças”. Essa combinação só ocorre no século XIX, e bem longe das senzalas. O padre Miguel do Sacramento Lopes Gama, conhecido como “Padre Carapuceiro”, publicou no jornal O Carapuceiro, de Pernambuco, em 3 de março de 1840, um artigo no qual condenava a “feijoada assassina”, escandalizado pelo fato de que era especialmente apreciada por homens sedentários e senhoras delicadas da cidade – isso em uma sociedade profundamente marcada pela ideologia escravocrata. Vale lembrar que as partes salgadas do porco, como orelha, pés, e rabo, nunca foram restos. Eram apreciados na Europa enquanto o alimento básico nas senzalas era uma mistura de feijão com farinha.

O que se sabe de concreto é que as referências mais antigas à feijoada não têm nenhuma relação com escravos ou senzalas, mas sim a restaurantes freqüentados pela elite escravocrata urbana. O exemplo mais antigo está no Diário de Pernambuco de 7 de agosto de 1833, no qual o Hotel Théâtre, de Recife, informa que às quintas-feiras seriam servidas “feijoada à brasileira” (referência ao caráter adaptado do prato?). No Rio de Janeiro, a menção à feijoada servida em restaurante – espaço da “boa sociedade” – aparece pela primeira vez no Jornal do Commercio de 5 de janeiro de 1849, em anúncio sob o título A bela feijoada à brasileira: “Na casa de pasto junto ao botequim da Fama do Café com Leite, tem-se determinado que haverá em todas as semanas, sendo às terças e quintas-feiras, a bela feijoada, a pedido de muitos fregueses. Na mesma casa continua-se a dar almoços, jantares e ceias para fora, com o maior asseio possível, e todos os dias há variedade na comida. À noite há bom peixe para a ceia.”

Nas memórias escritas por Isabel Burton, esposa do aventureiro, viajante, escritor e diplomata inglês Richard Burton, em 1893, remetendo- se ao período em que esteve no Brasil, entre 1865 e 1869, aparece um interessante relato sobre a iguaria. Falando sobre a vida no Brasil (seu marido conquistou a amizade do imperador D. Pedro II, e ela compartilhou do requintado círculo social da marquesa de Santos, amante notória do pai deste, D. Pedro I), Isabel Burton diz que o alimento principal do povo do País – segundo ela equivalente à batata para os irlandeses – é um saboroso prato de “feijão” (a autora usa a palavra em português) acompanhado de uma “farinha” muito grossa (também usa o termo farinha), normalmente polvilhada sobre o prato. O julgamento da inglesa, após ter provado por três anos aquilo a que já se refere como “feijoada”, e lamentando estar há mais de duas décadas sem sentir seu aroma, é bastante positivo: “É deliciosa, e eu me contentaria, e quase sempre me contentei, de jantá-la.”

A Casa Imperial – e não escravos ou homens pobres – comprou em um açougue de Petrópolis, no dia 30 de abril de 1889, carne verde (fresca), carne de porco, lingüiça, lingüiça de sangue, rins, língua, coração, pulmões, tripas, entre outras carnes. D. Pedro II talvez não comesse algumas dessas carnes – sabe-se de sua preferência por uma boa canja de galinha –, mas é possível que outros membros de sua família, sim. O livro O cozinheiro imperial, de 1840, assinado por R. C. M., traz receitas para cabeça e pé de porco, além de outras carnes – com a indicação de que sejam servidas a “altas personalidades”.

Hoje em dia não há apenas uma receita de feijoada. Pelo contrário, parece ser ainda um prato em construção, como afirmou nosso folclorista maior no final dos anos 1960. Há variações aqui e acolá, adaptações aos climas e produções locais. Para Câmara Cascudo, a feijoada não é um simples prato, mas sim um cardápio inteiro. No Rio Grande do Sul, como nos lembra o pesquisador Carlos Ditadi, ela é servida como prato de inverno. No Rio de Janeiro, vai à mesa de verão a verão, todas as sextas-feiras, dos botecos mais baratos aos restaurantes mais sofisticados. O que vale mesmo é a ocasião: uma comemoração, uma confraternização, a antecipação do fim-de-semana no centro financeiro carioca, ou até mesmo uma simples reunião de amigos no domingo.

Um cronista brasileiro da segunda metade do século XIX, França Júnior, chegou a dizer mesmo que a feijoada não era o prato em si, mas o festim, a patuscada, na qual comiam todo aquele feijão. Como na Feijoada completa de Chico Buarque: “Mulher / Você vai gostar / Tô levando uns amigos pra conversar”. O sabor e a ocasião, portanto, é que garantem o sucesso da feijoada. Além, é claro, de uma certa dose de predisposição histórica (ou mítica) para entendê-la e apreciá- la, como vêm fazendo os brasileiros ao longo dos séculos.

Por Rodrigo Elias

Fonte: http://www.mre.gov.br

.

Mulheres no Espaço


Русские женщины являются пионерами в космосе

Valentina Tereshkova

A primeira mulher a ir ao espaço. Operária de uma fábrica têxtil e paraquedista amadora, Valentina também foi o primeiro civil a entrar em órbita. Em 16 de Junho de 1963 – dia do lançamento da Vostok 6 do Kosmódromo de Baikonur – ela tinha 26 anos.

Em 1964, Valentina e o cosmonauta Andrian Nikolayev se casaram e tiveram uma filha, considerada a primeira criança nascida de pais cosmonautas.

Sally Ride

Formada em Física e Inglês pela Universidade de Stanford, Em 18 de junho de 1983, Ride entrou para a história como a terceira mulher ( primeira americana) a subir ao espaço, como integrante da tripulação da Challenger.

Sally faleceu anteontem, 23/07/2012 vitima de câncer no pâncreas.

Liu Yang

Piloto da Força Aérea do Exército de Libertação Popular, líder de esquadrão aéreo e major da Aeronáutica, Yang foi a primeira Taikonauta a chegar ao espaço, em 16 de junho de 2012 a bordo da nave Shenzhou 9.

Yang foi ao espaço exatos 49 anos depois do voo espacial histórico da cosmonauta soviética Valentina Tereshkova.

.

A verdadeira face de Simón Bolívar


 

“Todos os povos do mundo que lutaram pela liberdade exterminaram no final a seus tiranos.”

Verdadeiro Bolívar

Uma equipe de meia centena de forenses exumou os restos de Bolívar (1783-1830) em 16 de julho de 2010 com o objetivo de determinar se correspondiam efetivamente aos do prócer latino-americano.

Foi confirmado que efetivamente os restos que estão no Panteón Nacional eram do Libertador, após ser comparado o DNA dos restos com os dos corpos de suas irmãs María Antonia e Juana Bolívar, exumados em 30 de agosto de 2010.

.

Respingo


A chuva grossa lá fora

Me obriga a pensar em saudade.

Mas, liberto, solto um verbo,

Esquecido da marquise:

Isso passa, digo à moça

…Mas não já

Alguém retruca

Com intenção.

.

E.J
por eudyr Postado em Poesia

Do que são feitos os sonhos?


 

Com que frequência voce lembra dos seus sonhos?

Estudos revelam que metade do sonho é esquecido nos primeiros cinco minutos após acordarmos, e que é mais fácil lembrarmos deles se formos acordados enquanto sonhamos. Deve ser por isso que muitos sonhadores não lembram do que sonharam – e todos sonhamos, menos as pessoas com graves distúrbios psiquiátricos.

Eu mesmo tive um sonho delicioso que se repetiu muitas vezes durante minha infância: Sonhei que flutuava sobre os móveis da sala da casa de minha avó. Não sei quantas vezes isso aconteceu, mas recordo vividamente deles até hoje. Foi também na casa de minha avó que eu tive meus piores pesadelos; a clássica perseguição que nunca me alcançava; acordava suado e ofegante. Pelo que eu soube, a maioria das pessoas já sonhou que estavam sendo perseguidas.

Algumas curiosidades sobre os sonhos

 

Pessoas que ficam cegas depois do nascimento podem ver imagens durante os sonhos. As pessoas que nascem cegas não enxergam nada, mas possuem sonhos igualmente vívidos envolvendo seus outros sentidos: audição, olfato, tato e suas emoções.

Nossos sonhos são frequentemente cheios de pessoas estranhas que desenpenham certos papéis. Você sabia que a sua mente não está inventando estas faces? Elas são rostos reais de pessoas que você viu durante a sua vida, mas pode não se recordar.

Existem pessoas com visão normal (12%) que sonham exclusivamente em preto e branco. O restante sonha em cores.

Se você sonha sobre algum assunto em particular não é comum que o sonho seja realmente sobre isso. Os sonhos nos falam em uma linguagem profundamente simbólica. A mente consciente tenta comparar seu sonho a outra situação ou coisa similar.

Os tabagistas que fumaram por muito tempo e pararam reportaram mais sonhos vívidos do que eles normalmente teriam.

Estímulos externos invadem nossos sonhos; isso é chamado de Incorporação ao Sonho e é a experiência em que a maioria de nós tem um som do mundo real ouvido em nosso sonho e incorporada de alguma maneira. Um exemplo similar ocorre quando você sente sede ou vontade de urinar no mundo real enquanto dorme e isto é transportado para o sonho. A maioria das crianças, já grandes, urinam na cama por causa de incorporação.

Você não sonha enquanto ronca.

Estudos revelaram que os animais, e, mais especificamente, os mamíferos, sonham como os humanos. Até mesmo o seu cachorrinho ou o seu gato podem estar sonhando noite após noite sem você saber.

Homens sonham 80% das vezes com outros homens, enquanto as mulheres sonham igualmente com pessoas dos dois sexos. Ambos experimentam reações físicas aos seus sonhos não importando se ele tenha ou não natureza sexual; homens têm ereções e nas mulheres aumenta o fluxo sanguíneo vaginal.

 

NOVIDADE NO TAPIRUS


O Tapirus inaugura, sem pompa nem circunstância, sua nova página LAMBE-LAMBE, (abaixo da foto de cabeçalho), onde serão colocadas as imagens captadas ao longo da estrada da vida…Que sejam muitas então!!

.